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Autor Quem?: AGUINALDO SILVA

Nascido em 07 de junho de 1944 no interior de Pernambuco, na cidade Carpina, Aguinaldo Silva veio ao mundo para se tornar célebre, sem jamais abandonar suas raízes e origens. Ao completar dezessete anos, ainda funcionário de um cartório em Recife, escreveu um romance, intitulado Redenção para Jó, que obteve grande sucesso, gerando ainda uma certa polêmica, pois houve rumores que atribuíam a autoria do texto ao jornalista Newton Rodrigues, já um senhor na época, beirando os sessenta anos de idade, editor do importante editorial da capital pernambucana, o Jornal Commercio. Porém, não passaram de boatos.

Em 1962, Aguinaldo Silva foi requisitado pelo jornalista Múcio Borges da Fonseca para trabalhar como repórter, no Última Hora Nordeste, implantado no Recife pela rede de jornais Última Hora, de propriedade de Samuel Wainer. Muito tímido, o rapaz, então com dezoito anos, trabalha cobrindo a área do aeroporto, porém, poucos meses depois, opta por trabalhar internamente, na redação, exercendo a função de copidesque. Com o fechamento do jornal pelo Movimento Militar em 1964, Aguinaldo foi morar no Rio de Janeiro, centro em que esses movimentos estavam efervecentes.
Na nova cidade, passou a trabalhar como repórter policial do Jornal O Globo. Na década de 70, inovou ao criar o primeiro jornal gay do país, O Lampião, um tablóide alternativo, semanal, que não sobreviveu por muito tempo, até devido ao fato de a censura estar mais intolerante do que nunca, nesta época. Antes de ingressar na tv, porém, Aguinaldo já havia utilizado sua veia artística para escrever cerca de 12 livros, em sua maioria, romances.
Já no fim dos barulhentos anos 70, mais precisamente, em 1979, Aguinaldo Silva tem sua primeira experiência na televisão, como um dos roteiristas do seriado "Plantão de Polícia". Aproveitando de sua grande experiência no ramo jornalístico, e pelo fato de ter sido repórter policial, ele se destacava justamente nas discussões dos problemas brasileiros ligados à marginalidade bandalismo, principalmente no choque entre polícia e bandido. Resultado: estréia com pé direito!
Em 1982, o autor é convocado pela emissora, a escrever a primeira minissérie da Tv Globo, e apresenta então "Lampião e Maria Bonita", escrita a quatro mãos, com Doc Comparato. Um clássico da teledramaturgia brasileira. Brilhante momento da emissora, em que novamente Aguinaldo estreava num gênero com pé direito. O texto perfeito, os atores principais e um elenco de primeiro, garantiram o sucesso da minissérie. Não há que não se lembre da perfeita caracterização de Nelson Xavier como o temido Lampião, que acabou por gerar uma grande empatia no público, ao lado de sua Maria Bonita, de uma Tânia Alves incomparável.
No ano seguinte, ainda saboreando o sucesso de "Lampião e Maria Bonita", a dupla é novamente acionada, afim da crianção de uma nova minissérie. "Bandidos da Falange" entra então em ação. Desta vez, o nordeste é deixado de lado, servindo como cenário um Rio de Janeiro diferente. Uma Baixada Fluminense, muito diferente das belezas naturais da capital do Rio, mostradas nas novelas de Gilberto Braga e Manoel Carlos. Excepcional trabalho de criação, bastante violência e roteiro ágil e surpreendente, foram os responsáveis por segurar o público. A minissérie apresentou o amadurecimento da maturidade teledramaturgica, após longa evolução. Trouxe à tona, o problema da criminalidade urbana, os envolvimentos da polícia, os policiais honestos, e a organização secreta dos bandos dentro das penitenciárias, em conexão com o crime organizado fora delas. Com base em fatos reais, criou uma ficção de alto teor de verossimilhança. Aqui, mais do que nunca, Aguinaldo aproveitou de sua vasta experiência no ramo de repórter policial.
Em 1984, a dupla ainda escreve mais uma minissérie "Padre Cícero". Só que desta vez, o sucesso não veio. Não faltaram problemas, como a união dos fatos reais com os fictícios, que se tornou confusa, além dos desdobramentos nos mais arrastados vinte capítulos já vistos na emissora.
No mesmo ano, Aguinaldo se aventura em outro gênero, o das telenovelas, e começa logo numa novelas das oito. Agora em uma nova parceria, com a também estreante Glória Perez - que porém já havia colaborado com Janete Clair em "Eu Prometo", encerrando esta novela, com a morte da autora. Mas parece que este não era o ano de Aguinaldo, pois, apesar do sucesso de público que a "Partido Alto" atingiu, a novela pecou em diversos aspectos, como a precariedade das histórias contadas na trama. Era nítida a falta de sintonia entre os autores, que acarretavam uma série de divergências. A solução então, foi a retirada de Aguinaldo da trama, que continuou com Glória, porém, com a mesma precariedade.

Em 1985, ele adapta para a TV, um romance de Jorge Amado, junto a Regina Braga, "Tenda dos Milagres". Os dois desenvolvem uma trama interessante e envolvente, o que fez com que o livro homônimo - que não era nem uma das obras mais lidas do autor - aumentasse em vendas, quase dez vezes mais. Ainda em 1985, ele é recrutado por Dias Gomes para colaborar com a novela "Roque Santeiro". Seria o verdadeiro início de sua carreira no ramo. O autor escreve cerca de 111 dos 209 capítulos da trama, inclusive, muitos deles com enorme sucesso, alcançando então grande projeção nacional.

Em 1987, entra no ramo dos clichês e escreve "O Outro", utilizando-se da velha fórmula dos gêmeos, em que um toma o lugar do outro. A trama até fez sucesso, e foi o início de uma parceria com Ricardo Linhares, seu mais fiel colaborador.
Em 1988, ele experimenta novamente o gosto dos grandes títulos de sucesso, com "Vale Tudo". Ao lado de Gilberto Braga e Leonor Bassères, ele faz a pergunta: "vale a pena ser honesto no Brasil?". O Brasil parou para assistir a novela, gerando uma verdadeira epidemia. No ano seguinte, Aguinaldo se junta à uma nova dupla, agora formada por ele, Ricardo Linhares e Ana Maria Morethzson. Num novo encontro com os livros de Jorge Amado, eles adaptam o romance Tieta do Agreste, e desenvolvem "Tieta", tendo Betty Faria como personagem-título. Uma verdadeira pornochanchada, trazia de volta a televisão, ainda que em pequenas doses, as boas tramas nordestinas. Um estouro! Em 1990, ele traz mais uma boa minissérie à televisão, "Riacho Doce". Foi a carta na manga utilizada pela Tv Globo, para conter o sucesso de "Pantanal", contando com belíssima imagens, Vera Fischer e Fernanda Montenegro.
A volta definitiva do realismo fantástico seria retomada em 1992, com a estréia de "Pedra Sobre Pedra". O mesmo trio responsável pelo êxito de "Tieta", se reune para escrever mais este sucesso. Quem não se lembra da flor de Jorge Tadeu (Fábio Jr.), ou de Míriam Pires, com seu: "Mistério!". Em 1993, a escrita se confirma: é a volta das boas novelas regionalistas! A afirmação foi garantida pela novela "Fera Ferida", em que o "trio-mágico" baseou-se em tramas e personagens de Lima Barreto, para prender a atenção dos telespectadores, com histórias como as do homem que transforma ossos em ouro e da mulher que inflamava tudo ao redor, quando em contato com seu amor. Mais uma história cheia de tramas por vezes absurdas e popularecas, que só cabem em novelas como estas.
Quatro anos depois, os dois homens do trio se reúnem para mais uma saga fantástica, com "A Indomada", mais uma trama cheia de ações surreais, e personagens que só costumam transitar em novelas de Aguinaldo Silva. Em "A Indomada", o destaque foi o português com o sotaque nordestino, falado pelos personagens, misturado à expressões em inglês. Uma espécie de crítica à dominação que a língua inglesa vem tendo sobre o país. Em 1998, ele supervisiona a novela "Meu Bem Querer", escrita por seu principal colaborador, Ricardo Linhares. Infelizmente, a trama se torna um tremendo e ridículo fracasso, não obtendo êxito em quaisquer aspeto. Já em 1999, é a vez de Aguinaldo fracassar também, com "Suave Veneno", sua primeira novela, contemporânea, sem quaisquer resquício do regionalismo. A trama se esvaziava à cada capítulo, e deve ter sido apagada da memória do autor.
O ano de 2001 marca o retorno de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, com "Porto dos Milagres". A trama duramente criticada no início, por se parecer com "A Indomada", aos poucos vai cativando os telespectadores, e ganhando espaço na memória do público. Aqui ele retorna com o realismo fantástico.
Mas como tudo o que é bom dura pouco, em 2004, ele resolve abandonar de vez este recurso, e pela primeira vez se aventura sozinho a escrever uma trama. "Senhora do Destino" se inicia logo nos anos de chumbo, anos esses em que o autor chegou ao Rio. A trama da nordestina que tem a filha sequestrada, ganha de cara o coração dos telespectadores, apesar de conter pequenos erros grotescos. Apesar de Maria do Carmo (Suzana Vieira), ser nordestina, do "realismo fantástico", não sobrou nem pó, já que Aguinaldo se dizia cansado das mesmas coisas. Que pena!
O autor mantém ainda um recorde: é o único autor brasileiro que só escreve novelas das oito. Que continue asism por muito mais tempo!
Novelas, Minisséries e Seriados:

"Plantão de Polícia" (1979 - Globo - seriado/ roteirista); "Lampião e Maria Bonita" (1982 - Globo - minissérie); "Bandidos da Falange" (1983 - Globo - minissérie); "Padre Cícero" (1984 - Globo - minissérie); "Partido Alto" (1984 - Globo - com Glória Perez); "Tenda dos Milagres" (1985 - Globo - minissérie); "Roque Santeiro" (1986 - Globo - com Dias Gomes); "O Outro" (1987 - Globo); "Vale Tudo" (1988 - Globo - com Gilberto Braga e Leonor Bassères); "Tieta" (1989 - Globo); "Riacho Doce" (1990 - Globo - minissérie); "Pedra Sobre Pedra" (1992 - Globo); "Fera Ferida" (1993 - Globo); "A Indomada" (1997 - Globo - com Ricardo Linhares); "Meu Bem Querer" (1998 - Globo - supervisão de texto); "Suave Veneno" (1999 - Globo); "Porto dos Milagres" (2001 - Globo); "Senhora do Destino" (2004 - Globo); ''Duas Caras'' (2007 - Globo).

Autor Quem?: Ivani Ribeiro

Hoje na sessão "Autor Quem?" iremos falar da autora Ivani Ribeiro, responsável por grandes e memoráveis sucessos de nossa dramaturgia.

Ivani Ribeiro

Nascida Cleyde Alves de Freitas Ferreira, assumiu o nome artístico, Ivani Ribeiro, desde os primórdios de sua carreira. Paulista da cidade de São Vicente, ela nasceu em 20 de feveiro de 1916.

Fomada em escola normal, em Santos, Ivani chegou à São Paulo com o objetivo de cursar a Escola de Filosofia, tendo como pretensão trabalhar no rádio. O início de sua trajetória neste veículo se deu quando, a Rádio Educadora, lhe ofereceu o emprego de intérprete de sambas e canções folclóricas. Como também era autora de alguns programas de rádio, logo ganhou notoriedade, mas alcançou mesmo maior sucesso quando, com a chegada da radiofonização de filmes famosos e de suas novelas, onde atuava como rádio-atriz e também redigia os textos, tornando-se célebre.

Mas foi na Tupi que Ivani se destacou, não no rádio, mas na tv, na recém-inaugurada Tv Tupi, onde chegou para escrever a série "Os Eternos Apaixonados". Mas sua primeira novela diária foi na Excelsior, "Corações em Conflito" já no fim do ano de 63, readaptando para a tv uma de suas histórias escritas para o rádio, que havia lhe consagrado. Ainda com relevante sucesso, escreveu "Ambição" e "Alma Cigana", mas suas reais pretensões neste novo veículo, só foram reconhecidas quando ela escreveu "A Moça que Veio de Longe", ganhando a projeção que merecia. Inclusive, esse sucesso foi o fio condutor para a ida de Ivani para a Excelsior, nos anos 60, se destacando no horário das 19:30h, onde realizou a proeza de escrever treze novelas consecutivas, todas com grande sucesso como: "A Deusa Vencida" (primeira novela de Regina Duarte, que curiosamente, interpretou meio que uma vilãzinha), "As Minas de Prata" (que tinha a mesma base de "A Padroeira" de Walcyr Carrasco", em 2001), "A Muralha" (que ganhou uma nova adaptação de Maria Adelaide Amaral, em forma de minissérie, em 2000) e "Os Estranhos" (que tinha a presença do jogador Pelé no elenco), num total de 1.600 capítulos escritos. Depois da grande temporada na Excelsior, a autora se revezou entre a Tupi, Bandeirantes e a Record.

Já na década de 70, a autora foi responsável pelos maiores sucessos da Tupi neste ano. Sucessos inesquecíveis, que nunca se apagam da memória dos telespectadores. Na maioria de seus grandes sucessos, Ivani teve Eva Wilma como protagonista, cativando o público. Foi assim com as gêmeas Ruth e Rachel de "Mulheres de Areia", a irresistível Jô Penteado, de "A Barba Azul" que fugia de casamento como o diabo foge da cruz, ou ainda como a Dinah e seu amor transcedental por Otávio Jordão, em "A Viagem". Todos com grande sucesso, em que Ivani explorou muitíssimo bem os personagens de suas tramas, onde tudo deu certo. Ainda na Tupi, a autora ainda escreveria mais um sucesso: "O Profeta", uma das últimas tramas da Tupi, onde tudo foi perfeito. Já que na época não se contava com colaboradores, para a construção da trama, Ivani contou com ajuda de especialistas sobre os assuntos abordados na história, como o fato do personagem Daniel, intepretado por Carlos Augusto Strazzer ser um paranormal. Para dar veracidade à esta trama, ela contou com a ajuda de um psiquiatra, um sacerdote católico, um mentor espírita e um orientador de candomblé. O curioso, é que essas mesmas relgiiões discutiam o drama do personagem na história. Com o fechamento da Tupi, Ivani se redirecionou para a Bandeirantes, onde escreveu novelas de relevante sucesso como, o remake de "A Deusa Vencida", "Cavalo Amarelo", com Dercy Gonçalves, "Meu Pé de Laranja Lima" e "Os Adolescentes", onde recorreu novamente à assessoria de um psiquiatra, para um maior entendimento sobre os jovens.

Sua estréia na Globo ocorreu no ano de 1982, onde escreveu a novela "Final Feliz", um sucesso! A novela já se destacava pela abertura, onde grandes pares românticos do cinema hollywoodiano, assistiam aos próprios beijos na tela, ao som de "Flagra" de Rita Lee. Aliás, "Final Feliz" foi a única novela inédita escrita por Ivani Ribeiro na tv Globo, onde ela se caracterizou pelos remakes. Esta fase, de readaptações de suas próprias histórias, iniciou logo no ano 1984, quando a autora apresentou "Amor com Amor Se Paga", baseada em sua antiga novela da Tupi, "Camomila e Bem-Me-Quer" em 1972. Ary Fontoura se destacou como nunca, na pele do avarento Nonô Corrêa. Em 1985, Ivani marcava definitivamente seu nome na Tv Globo, contando as histórias e aventuras de Jô Penteado, de "A Gata Comeu", dando à Christiane Torloni o mesmo sucesso conquistado por Eva Wilma, na novela original, "A Barba Azul". Um elenco bem escalado e uma história consistente e movimentada foram os principais atrativos para a grande repercussão que esta novela teve.

Em 86, Ivani traz "Hipertensão", que teve o mote central retirado de "Nossa Filha Gabriela". Já no fim na década, Ivani trouxe para a tv uma outra história ispirada em suas tramas: "O Sexo dos Anjos", de 1989, foi uma reedição de "O Terceiro Pecado", de 1968. Nesta nova novela, os personagens que foram vividos por Regina Duarte (Isabela), Gianfrancesco Guarnieri (Adriano), Natália Thimberg (Anjo da Morte) e Maria Izabel de Lizandra (Ruth), passaram a ser interpretados por Isabela Garcia, Felipe Camargo, Bia Seidl e Sílvia Buarque. Mas sem sombras de dúvidas, as melhores tramas de Ivani Ribeiro na Globo ainda estavam por vir.

No início dos anos 90, a Rede Globo resolveu levar adiante o projeto de fazer uma reedição de "Mulheres de Areia", grande sucesso de Ivani da Tupi. Porém, após sucessivas conversas entre a autora e a emissora, eles resolveram adiar o projeto. Depois, já no meio do ano seguinte, o projeto veio novamente à tona, e a história foi aprovada para substituir "Felicidade" de Manoel Carlos, que estava sendo exibida no horário das 18h daquele ano. Porém, novamente, havia um obstáculo para que a história finalmente saísse do papel: Glória Pires, a atriz exigida (não foi uma escolha aleatória) para o papel das gêmeas-protagonistas, estava grávida, fazendo com que a novela fosse adiada novamente. Foi ao ar então uma novela produiza à toque de caixa, intitulada "Despedida de Solteiro", para que só depois, "Mulheres de Areia" fosse ao ar. Como tudo tem seu tempo certo, a trama foi a primeira novidade da emissora no ano de 1993. Como já podia se esperar, o sucesso foi imediato, e a história das irmãs gêmeas causou comoção em todo o Brasil, aliás, em todo o mundo, pois houveram países onde a trama foi exibida, em que até as eleições foram remarcadas para o dia do capítulo final da trama, garantindo assim, o comparecimento em massa da população.

Nesta novela, tudo caminhou para o sucesso: atuações seguras de todo o elenco, principalmente de Glória Pires; entrosamento entre os mesmos; a direção impecável de Wolf Maya, além do texto sempre indiscutível de Ivani Ribeiro. Aliás, a autora aderiu à "Mulheres de Areia", a espinha dorsal de "O Espantalho", novela sua, exibida pela Record.

Na carreira desta autora, ainda cabia espaço para mais um sucesso. Dessa vez, a autora trouxe novamente a tv, mais uma de suas histórias marcantes. 94 era o ano de outro remake, desta vez "A Viagem", em que ela soube como nunca, explicar sobre a vida após a morte. Nesta novela, Ivani colocou na tela e apresentou aos telespectadores, tudo sobre a sua crença e as diversas manifestações de sua doutrina. Novamente, um grande sucesso, contando com a presença de Christiane Torloni, interpretando mais um personagem que fora de Eva Wilma: Dinah. Esta foi a última novela escrita por Ivani Ribeiro, que faleceu aos 79 anos, em 17 de julho de 1995. Antes de morrer, Ivani deixou um argumento para uma novela pronto e uma minissérie de 12 capítulos sobre Machado de Assis. A novela, que tinha um núcleo de velinhos e iria se chamar "Caminho dos Ventos", acabou desenvolvida por Lauro César Muniz e Solange Castro Neves, que colaborou com a autora nos remakes de "Mulheres de Areia" e "A Viagem", e ganhou o título de "Quem É Você?". Porém, infelizmente, esta trama passou despercebida.

Ivani faleceu sem saber da morte de seu marido Dárcio Alves Ferreira. Ela já se encontrava em estado crítico, quando Dárcio veio a falecer, no dia 27 de junho, ou seja, vinte dias antes dela. Os dois estavam internados no mesmo hospital. Essas são mais umas das grandes ironias desta vida, ou simplesmente, mais uma das histórias que nem o rádio, nem a tv, souberam contar...

A autora alcançou uma grande conquista na Globo. Ela é a única autora que teve novelas reprisadas duas vezes na sessão Vale a Pena Ver de Novo: "A Gata Comeu" (1989/2001) e "A Viagem" (1997/2006). "A Gata Comeu" ainda teve o mérito de ser uma novela de 20 anos, quando foi reexibida, algo inacreditável para a Globo de hoje. Agora, a Globo prepara outro remake de uma novela de Ivani Ribeiro: "O Profeta", de 1977, que será rediatada por Thelma Guedes e Duca Rachid, sob supervisão de Walcyr Carrasco, e já tem Thiago Fragoso, Carol Castro e Paola Oliveira, nos papéis que foram de Carlos Augusto Strazzer, Glauce Graieb e Elaine Cristina. Que venha om sucesso!

Novelas:

"Corações em Conflito" (1963 - Excelsior); "Ambição" (1964 - Excelsior); "Alma Cigana" (1963 - Tupi); "A Moça que Veio de Longe" (1964 - Excelsior); "A Gata" (1964 - Tupi); "Se o Mar Contasse" (1964 - Tupi); "A Outra Face de Anita" (1964 - Excelsior); "Onde Nasce a Ilusão" (1965 - Excelsior); "A Indomável" (1965 - Excelsior); "Vidas Cruzadas" (1965 - Excelsior); "A Deusa Vencida" (1965 - Excelsior); "A Grande Viagem" (1965 - Excelsior); "Almas de Pedra" (1966 - Excelsior); "Anjo Marcado" (1966 - Excelsior); "As Minas de Prata" (1966 - Excelsior); "Os Fantoches" (1967 - Excelsior); "O Terceiro Pecado" (1968 - Excelsior); "A Muralha" (1968 - Excelsior); "Os Estranhos" (1969 - Excelsior); "A Menina do Veleiro Azul" (1969 - Excelsior); "Dez Vidas" (1969 - Excelsior); "As Bruxas" (1970 - Tupi); "O Meu Pé de Laranja Lima" (1970 - Tupi); "A Selvagem" (1971 - Tupi - argumento); "Nossa Filha Gabriela" (1971 - Tupi); "O Leopardo" (1972 - Record); "Camomila e Bem-Me-Quer" (1972 - Tupi); "Mulheres de Areia" (1973 - Tupi); "O Machão" (1974 - Tupi - argumento); "Os Inocentes" (1974 - Tupi); "A Barba Azul" (1974 - Tupi); "A Viagem" (1975 - Tupi); "O Espantalho" (1977 - Record); "O Profeta" (1977 - Tupi); "Aritana" (1978 - Tupi); "A Deusa Vencida" (1980 - Bandeirantes - remake); "Cavalo Amarelo" (1980 - Bandeirantes); "Meu Pé de Laranja Lima" (1980 - Bandeirantes); "Os Adolescentes" (1981 - Bandeirantes); "Final Feliz" (1982 - Globo); "Amor com Amor Se Paga" (1984 - Globo); "A Gata Comeu" (1985 - Globo); "Hipertensão" (1986 - Globo); "O Sexo dos Anjos" (1989 - Globo); "Mulheres de Areia" (1993 - Globo - remake); "A Viagem" (1994 - Globo - remake); "Quem É Você?" (1996 - Globo - argumento).

Autor Quem?: ANTÔNIO CALMON

Antônio Calmon

Nascido em Manaus, lá por meados de 1945, Antônio Calmon sempre foi uma pessoa polêmica e à frente do seu tempo. Desde jovem, lá pelos seus 20 anos, Calmon já sabia o que queria, e correu atrás, inciando sua carreira profissional através do cinema, servindo de assistente de direção em muitas produções do Cinema Novo, como A Grande Cidade (1965), de Cacá Diegues, Terra em Transe (1967) e O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1968), de Glauber Rocha, e O Bravo Guerreiro (1968), de Gustavo Dahl.

Em 1970, surgiu a primeira oportunidade de lançar o seu primeiro longa-metragem, o filme cult, O Capitão Bandeira Contra o Doutor Moura Brasil, protagonizado por grandes futuras estrelas da tv, como Dina Sfat, Hugo Carvana e Norma Bengell. Com este filme, Calmon já mostrava suas influências polêmicas, criando o chamado Cinema Marginal.

A partir desse momento a carreira de Calmon no cinema não parou mais, sempre com muita polêmica, e muitos filmes no currículo como Revólver de Brinquedo (1975), Nos Embalos de Ipanema (1977) - início de sua parceria com André De Biasi, com quem estrearia com sucesso na tv -, Eu Matei Lúcio Flávio (1978), Terror e Êxtase (1979), O Torturador (1981), entre muitas outras produções. Mas foi com Menino do Rio (1982) que Antônio Calmon conquistou a notoriedade que precisava. A trama, que contava o conflitos de uma juventude preocupada com o surf e azaração, tinha no elenco um time de jovens promessas, como André De Biasi, Cláudia Magno, Cláudia Ohana, Guto Graça Mello e Sérgio Malandro. O sucesso foi tanto, que rendeu uma sequência dois anos depois, com Garota Dourada (1984), contando com Bianca Byngton e Andréa Beltrão no elenco. Só que dessa vez, a película não cativou aos espectadores, e marcaria o fim de uma até então bem sucedida carreira de diretor de cinema.

Antônio Calmon anseiava por novas motivações, sendo recrutado pela Globo para desenvolver o roteiro de uma nova produção, escrevendo "Armação Ilimitada", que tinha como base seus dois últimos filmes, e trazia um elenco jovem, composto por Kadu Moliterno, André De Biasi, Andréa Beltrão e Jonas Torres. A série foi um sucesso, alvo de muitas polêmicas com a censura, mas cultuada até hoje. Kadu Moliterno e André De Biasi, apesar de muitos papéis na tv, até hoje não conseguiram se livrar do estigma de Juba e Lula. Com o sucesso de "Armação", em 1988, um anos após a série ter ido ao fim, a emissora enconmendou umn novo seriado à Calmon, tratava-se da série "Tarcísio & Glória", protagonizada pelo famoso casal da tv. Escrita com Euclydes Marinho e Daniel Filho, esta série não foi um grande sucesso, mas conseguiu cativar, apesar da história pouco convincente.

1989, era finalmente o ano de Calmon estrear nas novelas. A história escolhida para esta lançamento, foi nada mais nada menos que "Top Model", desenvolvida junto ao já experiente Waltér Negrão. Calmon não poderia começar melhor. Com uma produção extremamente bem cuidada (talvez mais pelo fato de Negrão estar por trás da história), e uma trama inovadora, e sem falsos clichês, o autor desenvolveu uma nova maneira de se contar uma história, com um texto jovem, totalmente alegre e pra cima.

Sua trama seguinte à "Top Model" seguiu o mesmo estilo. Era "Vamp", um dos maiores sucessos da telenovela brasileira. Se em "Top", Antônio Calmon já havia inovado, e muito, com "Vamp", sua criatividade aflorou de uma maneira inexplicável. Uma trama atraente, que despertava a curiosidade de crianças, jovens e adultos, era tudo o que o autor precisava para sagrar seu nome na televisão. Até hoje, a história dos vampiros de Armação dos Anjos está no imaginário do povo brasileiro.

Em 1993, o autor trouxe novamente às telas das tv, uma trama repleta de modelos. Era a minissérie "Sex Appeal", que com apenas 20 capítulos, nos apresentou aquelas que anos mais tarde seriam verdadeiras estrelas da tv, como Carolina Dieckmann, Camila Pitanga, Danielle Winits e Luana Piovani. Tudo envolto a muito suspense e romance. No mesmo ano, o autor ainda colocou a criatividade para funcionar, e lançou "Olho no Olho", que ao som de "Magnificat" do Rútila Máquina, mostrava a eterna luta do bem contra o mal, num duelo literalmente olho no olho, entre os personagens da trama. Apesar da concepção interessante, o sucesso conquistado com as novelas anteriores, não passou nem perto desta trama.

perito em escrever tramas alegres e pra cima, Antônio Calmon não fugiu a fórmula na hora de desenvolver "Cara & Coroa". Só que desta vez, a trama veio cheia de clichês como as gêmeas que trocam de lugar, o filho que rejeita a mãe, entre essas coisas. Parece que funcionou, pois "Cara & Coroa" cativou os telespectadores, e é mais uma boa recordação em seu histórico. Em 1997, o autor deixou um pouco de lado as suas histórias leves e cômicas, e passou a escrever coisas sérias. O primeiro foi o seriado "A Justiceira", criado junto a Doc Comparato, Daniel Filho e Aguinaldo Silva. A trama que durou só 12 episódios (devido a gravidez da protagonista), era baseada nos filmes policiais de Hollywood e tinha como estrela principal Malu Mader. Já em 1998, com Daniel Filho e Elizabeth Jhin, escreveu a primorosa série "Mulher", uma espécie de Plantão Médico brasileiro, estrelado por Eva Wilma e Patrícia Pillar, numa dobradinha incrível.

Antes de escrever "Mulher", Antônio Calmon, no mesmo ano de 1998, tinha apresentado mais uma trama bem ao seu estilo. "Corpo Dourado" trazia de volta tudo aquilo que já era característico nas tramas do autor: a fictícia cidade litorânea do Rio de Janeiro - que aqui se chamava Marimbá -, o elenco jovem e bonito, romances e aventuras. A trama não foi uma explosão de audiência, mas foi gostosa de assitir, e deu espaço para Daniele Winits brilhar, na pele da Alicinha. Em 2001, uma trama mística era a nova aposta de Calmon. Mesclando anjos com nazismo, e ainda o mundo da moda, o autor deu mais um show de criatividade, e mais uma vez conquistou o público com "Um Anjo Caiu do Céu".

Já em 2002, após anos e anos de insistência dos telespectadores órfãos de "Vamp", a Rede Globo decidiu atender ao pedido fãs da novela vampírica, e encomenda uma nova trama sobre o tema. A única exigência feita ao autor, é que a trama não fosse um "Vamp 2". Calmon trouxe então a chamada "O Beijo do Vampiro", que ao contrário do que todos esperavam, foi alvo de críticas e polêmicas. A trama ao contrário de "Vamp" era muito infantil, e só conseguiu conquistar às crianças mesmo. Outro ponto que prejudicou esta novela, foi o boicote proposto pelos fãs da trama de 1991, que não aceitavam o fato de Jorge Fernando, o diretor de "Vamp" não estar a frente desta nova empreitada, dirigida por Marcos Paulo.

Em 2004, Calmon conseguiu convencer Marcos Paulo a volta à frente das câmeras e protagonizar "Começar de Novo". Infelizmente, a história do homem julgado morto, que volta para se vingar de seus inimigos foi açucaradamente insuportável, o que fez com que muitos telespectadores migrassem para "A Escrava Isaura" da Record. A situação ficou tão complicado, que o autor chegou até a se afastar da novela, só retornando quando a trama já estava quase no fim.

Novelas:

"Armação Ilimitada" (1985 - Globo - seriado); "Tarcísio & Glória" (1988 - Globo - seriado - com Euclydes Marinho e Daniel Filho); "Top Model" (1989 - Globo - com Wálter Negrão); "A, E, I, O... Urca" (1990 - Globo - minissérie - com Doc Comparato); "Vamp" (1991 - Globo); "Sex Appeal" (1993 - Globo - minissérie); "Olho no Olho" (1993 - Globo); "Cara & Coroa" (1995 - Globo); "A Justiceira" (1997 - Globo - seriado - com Doc Comparato, Daniel Filho e Aguinaldo Silva); "Corpo Dourado" (1998 - Globo); "Mulher" (1998 - Globo - seriado - com Daniel Filho e Elizabeth Jhin); "Um Anjo Caiu do Céu" (2001 - Globo); "O Beijo do Vampiro" (2002 - Globo); "Começar de Novo" (2004 - Globo - com Elizabeth Jhin); ''Três Irmãs'' (2008 - Globo)

Autor Quem?: JANETE CLAIR

Na Sessão Autor Quem? de hoje, a detentora absoluta do título de "A Maga das Oito", que sabia como ninguém fazer o país parar com suas novelas. Ninguém mais, ninugém menos que:

Janete Clair

Nome Completo: Jenete Stocco Emmer

Nome Artístico: Janete Clair

Mineira da cidade de Conquista, Janete nasceu 1925. Batizada "Jenete" (o escrivão não entendeu o sotaque árabe de seu pai) Stocco Emmer, adotou o nome artístico em razão da música Clair de Lune. A "Maga das Oito", como ficou célebre, graças aos freqüentes sucessos no horário das 20 horas na Rede Globo.

Janete iniciou sua carreira como rádio-atriz na Rádio Tupi Difusora de São Paulo, em 1943.

Paralelamente ao seu namoro e casamento com o dramaturgo Dias Gomes, Janete se tornou uma novelista e não abandonou mais a profissão. Criou 31 rádionovelas, principalmente na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, onde em 1956 alcançou grande êxito com a rádio-novela "Perdão, Meu Filho".

Em 1964, chega à televisão para escrever "O Acusador", na Rede Tupi do Rio de Janeiro. Em 1967 Janete estréia na Globo, assumindo a autoria de "Anastácia, A Mulher Sem Destino", onde provoca literalmente, o famoso furacão, que eliminou mais que a metade do elenco e dos cenários, para abater as despesas de produção e reformular a história. Resultado, não se desligou mais da emissora, modificou o estilo das novelas da emissora, com "Véu de Noiva" (1969) e se consagrou junto ao público, com novelas de grande sucesso, como "Irmãos Coragem" e "Selva de Pedra" (que chegou a ter 100% de audiência), de 1970 e 1972, respectivamente.

Porém, apesar desse estrondoso sucesso que se tornou, os críticos especializados esperaram até 1976 para endossá-la com louvor. Isso aconteceu com o fim de "Pecado Capital", considerava sua melhor novela, onde criou um clima suburbano e matou o protagonista no final. Vale destacar, ainda nesta década, a novela "O Astro", que fez o país parar, literalmente, na noite de seu útlimo capítulo, onde foi revelada a identidade do assassino do milionário Salomão Hayalla (Walmor Chagas): Felipe Cerqueira (Edwin Luizi). Outra novela que fez sucesso nessa época, foi "Pai Herói", que imortalizou o a música Pai, cantada por Fábio Jr. na abertura da novela.

Janete Clair faleceu vítima de um câncer no intestino em dezembro de 1983 (a doença já havia sido diagnosticada há quase quatro anos), enquanto ia ao ar sua novela "Eu Prometo" no horário das 22hs, concluída por então colaboradora e discípula, Glória Perez. Janete morreu sem ter realizado o sonho de escrever sua última novela no horário das oito, onde ficou consagrada, ela insistia: "Por favor, deixa eu escrever a próxima das oito, vai ser minha última novela!". Três de suas novelas tiveram remakes, "Selva de Pedra" (1986), "Irmãos Coragem" (1995) e "Pecado Capital" (1998), escrita pela discípula Glória Perez, mas só a primeira conseguiu obter sucesso, pois "Pecado Capital" e "Irmãos Coragem", foram verdadeiros fracassos.

Wálter Negrão ainda se basearia numa antiga rádionovela de Janete ("A Noiva das Trevas"), para escrever "Direito de Amar" em 1987.


As novelas de destaque da autora: "O Acusador" (1964 - Tupi), "Paixão Proibida" (1967 - Tupi), "Anastácia, A Mulher Sem Destino" (1967 - Globo/parcial), "Sangue e Areia" (1967 - Globo), "Passos dos Ventos" (1968 - Globo), "Acorrentados" (1969 - TV Rio), "Rosa Rebelde" (1969 - Globo), "Véu de Noiva" (1969 - Globo), "Irmãos Coragem" (1970 - Globo), "O Homem Que Deve Morrer" (1971 - Globo), "Selva de Pedra" (1972 - Globo), "O Semideus" (1973 - Globo), "Fogo Sobre Terra" (1974 - Globo), "Bravo!" (1975 - Globo - com Gilberto Braga), "Pecado Capital" (1975 - Globo), "Duas Vidas" (1976 - Globo), "O Astro" (1977 - Globo), "Pai Herói" (1979 - Globo), "Coração Alado" (1980 - Globo), "Jogo da Vida" (1981 - Globo), "Sétimo Sentido" (1982 - Globo), "Eu Prometo" (1973 - Globo).

Autor Quem?: GLÓRIA PEREZ

Glória Perez

Glória Perez é uma mulher que divide opiniões. Uns a veneram, outros a odeiam, e há também os que apenas assistem às suas novelas, sem qualquer reação. Polêmica até o útlimo fio de cabelo, a autora, já trouxe as mais diversas discussões para o seio de suas tramas, e instaurou o que hoje é chamado de 'merchandising social'.

Nascida em Rio Branco, capital do Acre, em 25 de setembro de 1948, Glória Perez tem uma carreira marcada por diversos acontecimentos marcantes, e até tristes. Seu primeiro trabalho como autora na Globo, foi ter participado do grupo de roteiristas de Malu Mulher, ao qual pertenciam ainda Euclydes Marinho e Manoel Carlos. Infelizmente, o único episódio escrito por Glória nunca foi gravado. Anos depois, mais precisamente em 1983, Glória foi convidada pela Globo, a colaborar com Janete Clair nos capítulos da novela "Eu Prometo". Janete, que já estava debilitada, acabou por falecer antes de concluir a novela, protagonizada por Francisco Cuoco, Renée de Vielmond e Dina Sfat. A trama foi então conduzida por Glória, contando com a supervisão de Dias Gomes, o viúvo de Janete Clair. No ano seguinte, a autora se uniu a Aguinaldo Silva para escrever a novela "Partido Alto". A trama foi um verdadeiro samba do crioulo-doido, um disperdício de elenco, numa novela sem pé nem cabeça, já que era nítida incompatibilidade de idéias dos autores, o que acarretou a saída de Aguinaldo, tendo Glória assumido de vez a autoria da trama. Curiosamente, esta foi a única trama em que Glória Perez dividiu a autoria com alguém, pois geralmente ela não tem nem colaboradores.

Após este fracasso, a autora foi convidada a escrever para a Manchete, e desenvolveu a polêmica novela "Carmem", que trazia uma Lucélia Santos bem diferente das mocinhas chorosas de seus maiores sucessos. A personagem título era uma jovem que resolvia fazer um pacto com a Pombagira para atrair a atenção dos homens. Como se já não bastasse essa polêmica, Glória pela primeira vez ousava falar da Aids, promovendo uma campanha na novela, com participação do sociólogo Betinho. Anos mais tarde, em 1990, ela retorna à Globo, e apresenta um argumento para uma minissérie, que contava a trajetória de Euclides da Cunha. Aprovada, a minssérie "Desejo" se tornou um sucesso de público e crítica, marcada pelo triângulo amoroso central formado por uma Vera Fischer morena e de cabelos curtos, Tarcísio Meira e Guilherme Fontes.

Com o nome em alta na Globo, Glória finalmente conseguiu emplacar sua tão sonhada novela-solo na Globo. Desde 1985 caducando nas gavetas da Globo, a sinopse de "Barriga de Aluguel" foi finalmente aprovada. A trama que contava a história de Clara (Cláudia Abreu), uma jovem que 'alugava' sua barriga para gerar um bebê de outra mulher, já era polêmica por si só. Glória ainda provocou discussões sobre o tema, utilizando-se dos personagens Miss Brown (Beatriz Segall) e Dr. Molina (Mário Lago), que acompanhavam à gestação, e divergiam em suas opiniões. É com "Barriga de Aluguel" que Glória dá início à prática do merchandising social, sendo por vezes ridicularizada pelos outros autores. A novela foi um sucesso, fez o Brasil inteiro acompanhar o desenrolar daquela história, e questionar o direito das duas mães sobre o bebê, tudo ao som da melodramática "Aguenta Coração" (José Augusto), o tema de abertura da novela, que foi um verdadeiro estouro. Cláudia Abreu, se tornou a estrela daquele ano, a nova queridinha do público. Para resolver quem deveria ficar com o bebê, Glória recorreu a justiça real, que deu na primeiro deu a guarda à Clara, a mãe de aluguel e depois para Ana (Cássia Kiss), a mãe biológica. Ao final, Glória deixa margens à imaginação do público, já que a resposta não é dada, e na cena final as 'mães' aparecem passeando com a criança. O sucesso foi tão grande, que de 191 capítulos, a trama passou a ter 243, sendo uma das mais longas novelas já produzidas pela Globo. Tudo, sem sem que a trama ficasse desgastada, ou o telespectador perdesse o interesse. A novela marca ainda o início da parceira do então estreante Victor Fasano com a autora.

No trama seguinte, "De Corpo e Alma", já no horário nobre, Glória vem munida de mais discussões e assuntos polêmicos. Desta vez, as atenções estão voltadas para a doação de órgãos. Na história Diogo (Tarcísio Meira) é um juiz que tem um caso com Betina (Bruna Lombardi), que morre num acidente, e tem seu órgão transplantado em Paloma (Cristiana Oliveira), que passa a ser a nova paixão do juiz. A trama, bem folhetinesca, é uma das características mais marcante de Glória Perez, o que faz com que ela se assemelhe à outra Glória, a Magadan, que era expert nestas tramas rocambolhescas e confusas. Como apenas uma polêmica é bobagem para La Perez, a autora abordou o clichê da troca de crianças na maternidade, e ainda o trabalho dos stripers, que era a profissão de um dos protagonistas da trama. Com o sucesso do tema, os Clubes das Mulheres começaram a se proliferar por todo o Brasil, aproveitando a fama do personagem Juca (Victor Fasano). Porém, apesar de todas as polêmicas, a que mais marcou ocorreu fora da novela, quando a atriz Daniela Perez, filha da autora, que tinha interpretava a jovem Yasmin na novela, foi brutalmente assassinada pelo colega de cena, Guilherme de Pádua, que interpretava seu par romântico na trama. A partir de então, as atenções do público ficaram mais voltadas para o caso do que para a novela. Mesmo abatida, Glória não deixou a autoria da trama, sendo apenas substituída por Gilberto Braga e Leonor Bassères, durante a semana em que o crime ocorreu. O crime até hoje não foi esquecido, com Glória Perez lutando até hoje por justiça, já que os assassinos já estão em liberdade.

Durante esse periodo de reclusão, ela aceita a proposta do SBT para escrever novelas na emissora de Sílvio Santos, porém, não cumpriu o contrato, e até hoje responder o processo. Caso perca, terá que desembolssar milhões, como já fez o autor Wálther Negrão. Em 1995, ainda marcada pelo acontecido, Glória retorna à tv, com "Explode Coração". A trama apresentava uma nova forma de ver os ciganos, com seus preceitos e crenças, porém, mais modernos e estáveis. Glória trazia à tona as tradições ciganas, aliadas a tecnologia proporcionada pela internet, uma combinação que parece irreal, mas que funcionou bem para a novela, que contava a história de Dara (Tereza Seiblitz) e Júlio Falcão (Edson Celulari), que se apaixonavam através da internet sem ao menos se conhecerem. "Explode Coração" não foi nenhum sucesso retumbante, mas deixou sua marca, principalmente pelo merchandising social da vez, o drama das crianças desaparecidas, desenvolvido através da personagem Odaísa (Isadora Ribeiro), que buscava pelo seu filho desaparecido. Ela uniu-se às Mães da Cinelândia reais, o que provocour muitos reencontros de mães com seus filhos. Foi aqui também que Glória passou a lançar mão dos depoimentos dessas mães durante a trama, além das fotos no encerramento da novela. Durante, a novela foram localizadas 64 desaparecidos. "Explode Coração" também ficou famosa pela incrível falta de talento de Ricardo Macchi, na pele do cigano Ígor, lembrado até hoje.

Em 1998, Glória volta com mais uma minissérie. Dessa vez é "Hilda Furacão", inspirada no livro homônimo de Roberto Drummond. A história da moça de família que se torna a mais conhecida das prostitutas de Belo Horizonte, foi mais um golpe de mestre de La Perez. A autora conduziu como ninguém, introduzindo ganchos que só ela sabe como fazer. A trama aliás, marcava a estréia de Ana Paula Arósio na Globo. O curioso, é que durante o período em que gravava e estava no ar na minissérie, a atriz ainda era contratada pelo SBT. No mesmo ano, Glória voltaria à tv como um dos mais aguardados remakes da televisão. Tratava-se da nova adaptação de "Pecado Capital". E foi realmente isso, uma readaptação, pois quem aguardava um remake extremamente fiel da obra de Janete Clair, se decepcionou. Glória adicionou personagens, criou mais tramas paralelas, e colocou a história no ar. Com Eduardo Moscóvis na pele de Carlão, Carolina Ferraz como Lucinha e Francisco Cuoco (o Carlão de 1975) intepretando Salviano Lisboa, esta nova versão de "Pecado Capital" não agradou, e acabou levando fama de fracasso. Um dos motivos, foi a total falta de empatia entre Carolina Ferraz e Francisco Cuoco, o que comprometia a história, já que deles dependia o triângulo amoroso da trama. A solução foi então criar Laura, a mulher que conquistaria Salviano. E ninguém melhor para seduzir do que Vera Fischer. Mas nem assim a trama deslanchou. Dessa vez, o merchandising foi o drama dos desabrigados do Pallace II, que havia desabado no começo deste ano.

Meio que em baixa, devido ao fracasso de "Pecado Capital", Glória ficou afastada durante alguns anos, retornando à tv em 2001. A novela da vez trataria do mundo mulçumano, clonagem e drogas. Temas pesados e de difícil aceitação. A pré-produção foi totalmente atribulada. Denise Saraceni foi a escolhida para assumir a direção, mas devido a divergências com Glória Perez, saiu do projeto. Em seu lugar entrou Luís Fernando Carvalho, e por último, então Jayme Monjardim. Para os papéis de protagonistas, La Perez queria Letícia Spiller e Fábio Assunção, porém, ambos declinaram do convite, o que fez até com que Letícia ficasse meio que de castigo na emissora. Murilo Benício, então, se ofereceu para dar vida ao protagonista. E para viver a protagonista Jade, quem? Depois de muito pensar resolveram por Giovanna Antonelli, que havia sido o destaque como a prostituta Capitu, de "Laços de Família", a antecessora de "Porto dos Milagres", que seria substituída por "O Clone". Giovanna aceitou o desafio, e então estava definido os últimos pontos da produção. Contando a história de amor entre Jade (Giovanna Antonelli) e Lucas (Murilo Benício), mesclada com os mistérios do mundo mulçumano, a clonagem humana, e o uso de drogas, Glória Perez escrevia aqui o seu melhor, e mais reconhecido trabalho. "O Clone" foi uma novela que cruzou fronteiras, e até hoje, é aclamada em várias partes do mundo. Glória soube conduzir bem todos os temas propostos, e criou uma magnífica rede de emoções, que paralizou o país, com entrechos interessantes, personagens bem delineados, e uma trama bem construída e intricada. Assim como Giovanna Antonelli e Murilo Benício, Débora Falabella também conheceu o sucesso, imortalizando sua personagem Mel, que era viciada em drogas, que aliás foi o merchandising da vez, junto com a clonagem humana. No decorrer da trama, eram exibidos depoimentos de viciados ou ex, que davam suas versões do uso das drogas, com inclusive, depoimentos de famosos como Nana Caymmi e Carlos Vereza. Já sobre a clonagem humana, Glória trouxe novamente à tv os personagens de "Barriga de Aluguel", Dr. Molina (Mário Lago) e Miss Brown (Beatriz Segall), para uma discussão sobre o tema, com o Dr. Albieri (Juca de Oliveira), o responsável pela clonagem da novela.

Após o sucesso de "O Clone", Glória ficaria mais três anos sem escrever, retornando em 2005, com mais uma trama cheia de temas e conflitos. Falo de "América", que unia dessa vez, o mundo dos rodeios à imigração legal, e mais uma infinidade de temas. Aliás, antes da estréia da novela, Glória recebeu mensagens e até ameaças de morte, de grupos contrários aos rodeios. Com uma trama confusa e cheia de personagens, Glória Perez começou a se embolar com a sua própria história, o que acabou gerando o afastamento do diretor da novela, Jayme Monjardim, com quem ela havia contado no sucesso "O Clone". Com a saída do diretor de núcleo, Glória fez modificações na trama, inclusive na abertura, que antes entoava versos berrantes de Milton Nascimento, na belíssima "Órfãos do Paraíso", sobre cenas lentas, e foi substítuida pela animação contagiante de Ivete Sangalo com "Soy Loco Por Tí America", numa abertura bem colorida, que ajudou a dar um novo ritmo à novela. Personagens antes lacrimejantes e derrotados, tornaram-se pessoas fortes, que correm atrás dos seus objetivos, como a própria protagonista Sol (Déborah Secco). Por fim, a novela fez sucesso, e como já é de se esperar, os merchandisings da vez, foram muitos: os prós e contras do mundo dos rodeios, as dificuldades da imigração ilegal, cleptomania, deficiência visual, homossexualismo, isso só para citar alguns. Como de costume, Glória abriu espaço para os depoimentos, só que desta vez em forma de programa, em que os convidados, em geral deficientes visuais, contavam suas histórias. No último capítulo, muitos se decepcionaram, pois um prometido beijo gay, foi gravado, mas não foi ao ar.